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26/1/2005

 
A busca fotográfica
 
Bruno Guillon Bruno Guillon Bruno Guillon Bruno Guillon Bruno Guillon Bruno Guillon

Bruno Guillon

Atualmente a tecnologia abreviou muitos processos dentre eles a fotografia em especial. Se pegarmos as reportagens publicadas principalmente em revistas, fatalmente iremos nos deparar com imagens e informações garimpadas na Internet. Hoje em dia é muito fácil entrar em um site de busca e lá conseguir todas as informações necessárias para se escrever uma matéria ou mesmo conseguir uma imagem do local. Deixou de existir a necessidade de se estar no local para poder documentar o que existe lá. Mas o que tudo isso tem haver com fotografia? A grande questão é buscar as suas imagens sob um ponto de vista muito pessoal. A tecnologia está cada vez mais condicionando as pessoas a acharem que uma boa foto está obrigatoriamente vinculada à um equipamento de ponta. “Se tenho um grande poder aquisitivo, sou um bom fotógrafo”. Do contrário, minhas fotos nunca serão tão boas quanto as dos outros. O que muitos esquecem é que a câmera depende de alguém para apontá-la para um objetivo, dizer para ela o que ver e como ver e ainda por cima apertar o “gatilho”. Sozinha as câmeras fotográficas digitais ou analógicas, pouco podem fazer. Talvez a tecnologia permita que a maior parte das imagens saiam com uma qualidade de iluminação adequadas, mas e o diferencial? Somado a isso vem à questão de buscar a fotografia. Investir tempo e dinheiro em visitar locais diferentes que possam render boas imagens. Quem nunca pegou um livro do Sebastião Salgado, Pedro Martinelli, ou Cristiano Mascaro dentre inúmeros outros ícones da fotografia nacional e não se impressionou com as imagens contidas lá. Mas o que esses fotógrafos têm de tão especial? Por que eles conseguem imagens que para nós parecem inalcançáveis? Talvez o grande diferencial esteja em eles buscarem a fotografia onde ela realmente está. Ir de encontro aos fatos e personagens utilizando a câmera apenas como ferramenta de registro e não como item principal do seu trabalho. E porque tantas pessoas se preocupam cada vez mais com equipamentos? Conhecer a técnica é fundamental e fazer dela um meio de se expressar é tão importante quanto. Mas hoje eu vejo mais pessoas se gabando dos equipamentos que possuem do que exatamente do trabalho que estão realizando. Será que esse é o futuro? Se seguirmos assim pode ser que um dia ao lermos a legenda de uma foto nos deparemos com frases do tipo: Nikon D500 – disparada por Fulano de Tal. Seria estranho, né? Confesso que eu não sou tão pessimista quanto ao futuro da fotografia. Acredito que com a revolução do digital, haverá em breve uma enorme valorização dos fotógrafos. A qualidade técnica passará a ser um padrão, mas profissionais começarão a se destacar pelos pontos diferenciais de suas imagens. Será cada vez mais forte a identidade de uma imagem e quem pretende se destacar na fotografia deverá se preocupar em buscar o seu diferencial. Na fotografia, como toda arte, devemos buscar motivos que nos motivem a fotografar e linguagens que consigam transportar todas as nossas expectativas e emoções. Uma das grandes falhas de boa parte dos fotógrafos é ter a pretensão que o mundo inteiro goste de suas imagens com intensidades homogêneas. Isso é um erro e muitos acabam fazendo uma fotografia pasteurizada, sem “tempero”. É impossível agradar a todos. Cada pessoa possui a sua própria biblioteca visual e isso faz com que cada imagem seja avaliada e julgada de uma forma muito particular. Até mesmo o estado emocional de uma pessoa afeta a opinião dela sobre uma imagem. Sendo assim, devemos buscar o nosso diferencial com afinco e tentar pensar o que pretendemos com cada imagem. Por que eu fiz determinada foto? O que me motivou a apertar o disparador naquele momento e com aquela configuração de equipamento? Isso é muito importante. Há pouco tempo atrás perguntei para alguns fotógrafos quais eram as primeiras pessoas que viam as suas imagens. Muitos me responderam que membros da família eram os primeiros a ver as imagens. Isso é muito importante mas todo mudo sabe que mãe acha lindo tudo o que o filho faz. É normal. No caso da minha mãe ela já diz que tudo é horrível para ver se desestimula o meu interesse em me meter em lugares não muito normais, para a maioria, em busca de uma imagem. Mas isso faz parte de mim. Eu gosto de olhar para uma imagem e ver que ali teve muito mais do que um simples disparo. Para mim é importante enxergar nas minhas fotografias a história por trás de cada uma delas. Muitos especialistas em edição dizem que você deve se desapegar das suas imagens porque isso faz com que a edição de imagens seja tendenciosa. Mas como não ser tendencioso diante de todas as dificuldades que passamos para alcançar um determinado local e fazer uma foto? Se ela não saiu tecnicamente perfeita, isso é uma questão a se resolver mas o importante é que o fotógrafo esteve lá e enfrentou dificuldades com o intuito de registrar um momento. Isso é fotografar. Melhor ainda é quando outras pessoas olham para as suas imagens e conseguem ler nelas todo o desafio e logística que envolveu aquela imagem. Mas para resumir tudo isso, a dica é: busque as suas imagens além do seu equipamento. Planeje as suas fotos e colha o resultado posterior de forma a trazer para as suas imagens a sua assinatura. Busque qualidade técnica mas não faça dela o seu único objetivo. Vá além. Outra dica é: se você quer ouvir apenas elogios, mostre as suas imagens somente para sua mãe. Se você quer crescer como fotógrafo aprenda a ouvir críticas e elogios e filtrá-los de forma positiva. Um grande abraço. * Bruno Guillon Ribeiro é graduado em Rádio e Televisão e está cursando pós-graduação em Fotografia. Mergulhador desde 1997, formou-se como Instrutor NAUI em 1999 e em 2003 pela PDIC. Fotógrafo desde 1994, tem como preferências a Fotografia de Natureza assim como a Fotografia Submarina. E-mail - bruno.guillon@uol.com.br


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