As pilhas estão para as câmeras digitais, assim como os filmes estão para as câmeras analógicas. Os modelos amadores digitais consomem muita pilha para saciar a “fome” dos LCDs
Felipe Porciúncula
A pilha ganhou peso no bolso de quem fotografa com a chegada das digitais. Antes, com as analógicas, o consumo de energia pela câmera não representava muito no orçamento. As pilhas comuns resolviam. Com a linguagem pixels a conversa é outra, por isso o consumidor precisa escolher bem a mais adequada e conhecer melhor ainda como funciona a sua câmara, para poder gastar menos com as pilhas. “É como se a pilha fosse para as digitais o que o filme é para as analógicas. É tudo e não dá para ficar sem ela”, afirma o fotógrafo Marcos Kim. Aos poucos, as pilhas recarregáveis começam a ser a opção preferencial para quem quer, a longo prazo, economizar.
Se formos para a ponta do lápis o cálculo é simples. Em média uma pilha alcalina custa R$ 1,80 e dura uma hora com a câmara ligada o tempo todo. No caso da recarregável, a unidade custa R$ 37,50, se tiver amperagem de 1800, com uma ação contínua de noventa minutos, mas podendo ser utilizada em até mil vezes. Mesmo acrescido do preço do carregador, que gira em torno de R$ 100,00, o custo por cada novo uso da pilha recarregável fica 10% do valor que se paga por novas pilhas alcalinas, se diluirmos esse custo ao longo do tempo. O detalhe é que na hora de comprar as recarregáveis, é importante saber a sua amperagem, pois isso é que vai determinar seu tempo de uso. Então se ela tiver 700 mAh, sua duração só será de vinte minutos, e quanto mais àmpere, mais carga. A dica é que sempre se deve ter doze pilhas carregadas para cada saída com a câmara, independente do tipo.
Praticamente todos os comandos de uma câmera digital precisam de energia elétrica para funcionar. O mais faminto deles é o LCD, capaz de, em poucos minutos, desligar o equipamento, se as pilhas usadas forem as comuns. “A saída é usar apenas o visor e deixar para manipular as fotos com a câmera ligada na tomada”, aconselha Salvador Quintal, gerente comercial da Samsung. Mas o problema é que justamente a grande vedete das digitais é o LCD. “É difícil não deixar de acioná-lo. É a melhor parte”, rebate Kim. E com o agravante que, nas portáteis, o uso apenas do visor não dá o enquadramento completo da foto. “Isso só é possível com a Reflex, pois nas outras marcas, os recursos do visor são insuficientes”, diz o professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Ricardo Iglesias.
Sedutor como ele é, o LCD desperta no usuário um atrativo a mais. “A energia vai embora não só porque ele usa para ver a foto, mas é o tempo que ele passa vendo e revendo o seu arquivo de imagens, incluindo as outras pessoas, que também querem se ver no monitor. Aí a pilha já era”, explica Quintal. No que concorda Gardinel Vanzela, consultor da Fuji: “Com duas pilhas alcalinas uma máquina digital pode tirar até 250 fotos, mas para isso é preciso desligar o LCD e o display, além de regular o flash para 50% de sua capacidade”.
No final das contas quem decide é o consumidor, entretanto, uma saída pode ser a leitura mais atenciosa do manual de instrução, que, em muitos casos, detalha como otimizar os comandos da câmera. “Quando se conhece o quanto o equipamento consome de energia é mais fácil calcular o gasto com as pilhas”, enfatiza Luciano Rike, chefe de marketing da Divisão de Pilhas da Panasonic. Vale lembrar que nem todos os equipamentos aceitam qualquer tipo de pilha e existem aqueles que só usam baterias, então a hora de pensar sobre isso é antes da compra.
Segundo a Consultoria ACNielson, o Brasil consumiu 350 milhões de pilhas em 2002, sendo 75% delas as chamadas comuns e 25% as alcalinas. Só uma pequena parte, que nem entra nas estatísticas, são as recarregáveis. Elas funcionam como as baterias de celular, podendo ser reutilizadas muitas vezes, porém, com o tempo elas podem cair de rendimento. Pela sua praticidade, são recomendadas para quem usa com frequência o equipamento. Muitas marcas como a Samsung e a Nikon já vendem câmaras acompanhadas de pilhas recarregáveis e seus carregadores. “O segredo é comprar junto com a câmara, mais de um jogo de pilhas, pois depois é mais complicado adquiri-las”, aconselha Kim. Uma outra opção são as de lítio, conhecidas também como especiais. A Panasonic até lançou um modelo de pilha chamada Lithium Photo, que seriam as mais apropriadas para as câmaras digitais, porém o seu preço, entre dezessete e vinte dois reais, é alto e só podem ser usadas uma única vez.
“O consumidor brasileiro está interessado em comprar a mais barata, mesmo que ele termine gastando muito”, coloca Rike. Como o consumo de pilhas para uso em câmaras digitais não é representativo do total de pilhas compradas no Brasil, ainda não se criou um mercado específico que justifique a produção de uma pilha voltada para as digitais. Isso já aconteceu no Japão, onde foi lançada essa pilha e os resultados começam a aparecer. “Lá o retorno é muito bom. Estamos avaliando se, no futuro, isso se reverter aqui. Nós poderemos produzir esse modelo no País, porque importá-la é inviável”, afirma Rike.
Como funciona uma pilha?
Uma pilha é uma mini-usina elétrica portátil que transforma energia química em elétrica. Criada em 1800 pelo italiano Alessandro Volta. Ele descobriu que dois metais diferentes(cobre e zinco) dentro de uma solução de ácido sulfúrico, quando ligados, permitem a formação de corrente elétrica. Usando esse mesmo princípio, o que se fez foi substituir os metais e também a própria solução química em busca de pilhas mais potentes, que não poluíssem tanto o meio ambiente. Se você quiser saber onde deixá-las, quando virarem lixo, consulte o seu revendedor e veja a lista de postos de recolhimento. Só fique atento, pois muitas vezes a pilha não serve para a câmara digital, mas pode ser usada em aparelhos menos potentes. É só testar.