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10/2/2005

 
As papa pilhas
 
Maurício Piffer Maurício Piffer
As pilhas estão para as câmeras digitais, assim como os filmes estão para as câmeras analógicas. Os modelos amadores digitais consomem muita pilha para saciar a “fome” dos LCDs

Felipe Porciúncula

A pilha ganhou peso no bolso de quem fotografa com a chegada das digitais. Antes, com as analógicas, o consumo de energia pela câmera não representava muito no orçamento. As pilhas comuns resolviam. Com a linguagem pixels a conversa é outra, por isso o consumidor precisa escolher bem a mais adequada e conhecer melhor ainda como funciona a sua câmara, para poder gastar menos com as pilhas. “É como se a pilha fosse para as digitais o que o filme é para as analógicas. É tudo e não dá para ficar sem ela”, afirma o fotógrafo Marcos Kim. Aos poucos, as pilhas recarregáveis começam a ser a opção preferencial para quem quer, a longo prazo, economizar. Se formos para a ponta do lápis o cálculo é simples. Em média uma pilha alcalina custa R$ 1,80 e dura uma hora com a câmara ligada o tempo todo. No caso da recarregável, a unidade custa R$ 37,50, se tiver amperagem de 1800, com uma ação contínua de noventa minutos, mas podendo ser utilizada em até mil vezes. Mesmo acrescido do preço do carregador, que gira em torno de R$ 100,00, o custo por cada novo uso da pilha recarregável fica 10% do valor que se paga por novas pilhas alcalinas, se diluirmos esse custo ao longo do tempo. O detalhe é que na hora de comprar as recarregáveis, é importante saber a sua amperagem, pois isso é que vai determinar seu tempo de uso. Então se ela tiver 700 mAh, sua duração só será de vinte minutos, e quanto mais àmpere, mais carga. A dica é que sempre se deve ter doze pilhas carregadas para cada saída com a câmara, independente do tipo. Praticamente todos os comandos de uma câmera digital precisam de energia elétrica para funcionar. O mais faminto deles é o LCD, capaz de, em poucos minutos, desligar o equipamento, se as pilhas usadas forem as comuns. “A saída é usar apenas o visor e deixar para manipular as fotos com a câmera ligada na tomada”, aconselha Salvador Quintal, gerente comercial da Samsung. Mas o problema é que justamente a grande vedete das digitais é o LCD. “É difícil não deixar de acioná-lo. É a melhor parte”, rebate Kim. E com o agravante que, nas portáteis, o uso apenas do visor não dá o enquadramento completo da foto. “Isso só é possível com a Reflex, pois nas outras marcas, os recursos do visor são insuficientes”, diz o professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Ricardo Iglesias. Sedutor como ele é, o LCD desperta no usuário um atrativo a mais. “A energia vai embora não só porque ele usa para ver a foto, mas é o tempo que ele passa vendo e revendo o seu arquivo de imagens, incluindo as outras pessoas, que também querem se ver no monitor. Aí a pilha já era”, explica Quintal. No que concorda Gardinel Vanzela, consultor da Fuji: “Com duas pilhas alcalinas uma máquina digital pode tirar até 250 fotos, mas para isso é preciso desligar o LCD e o display, além de regular o flash para 50% de sua capacidade”. No final das contas quem decide é o consumidor, entretanto, uma saída pode ser a leitura mais atenciosa do manual de instrução, que, em muitos casos, detalha como otimizar os comandos da câmera. “Quando se conhece o quanto o equipamento consome de energia é mais fácil calcular o gasto com as pilhas”, enfatiza Luciano Rike, chefe de marketing da Divisão de Pilhas da Panasonic. Vale lembrar que nem todos os equipamentos aceitam qualquer tipo de pilha e existem aqueles que só usam baterias, então a hora de pensar sobre isso é antes da compra. Segundo a Consultoria ACNielson, o Brasil consumiu 350 milhões de pilhas em 2002, sendo 75% delas as chamadas comuns e 25% as alcalinas. Só uma pequena parte, que nem entra nas estatísticas, são as recarregáveis. Elas funcionam como as baterias de celular, podendo ser reutilizadas muitas vezes, porém, com o tempo elas podem cair de rendimento. Pela sua praticidade, são recomendadas para quem usa com frequência o equipamento. Muitas marcas como a Samsung e a Nikon já vendem câmaras acompanhadas de pilhas recarregáveis e seus carregadores. “O segredo é comprar junto com a câmara, mais de um jogo de pilhas, pois depois é mais complicado adquiri-las”, aconselha Kim. Uma outra opção são as de lítio, conhecidas também como especiais. A Panasonic até lançou um modelo de pilha chamada Lithium Photo, que seriam as mais apropriadas para as câmaras digitais, porém o seu preço, entre dezessete e vinte dois reais, é alto e só podem ser usadas uma única vez. “O consumidor brasileiro está interessado em comprar a mais barata, mesmo que ele termine gastando muito”, coloca Rike. Como o consumo de pilhas para uso em câmaras digitais não é representativo do total de pilhas compradas no Brasil, ainda não se criou um mercado específico que justifique a produção de uma pilha voltada para as digitais. Isso já aconteceu no Japão, onde foi lançada essa pilha e os resultados começam a aparecer. “Lá o retorno é muito bom. Estamos avaliando se, no futuro, isso se reverter aqui. Nós poderemos produzir esse modelo no País, porque importá-la é inviável”, afirma Rike. Como funciona uma pilha? Uma pilha é uma mini-usina elétrica portátil que transforma energia química em elétrica. Criada em 1800 pelo italiano Alessandro Volta. Ele descobriu que dois metais diferentes(cobre e zinco) dentro de uma solução de ácido sulfúrico, quando ligados, permitem a formação de corrente elétrica. Usando esse mesmo princípio, o que se fez foi substituir os metais e também a própria solução química em busca de pilhas mais potentes, que não poluíssem tanto o meio ambiente. Se você quiser saber onde deixá-las, quando virarem lixo, consulte o seu revendedor e veja a lista de postos de recolhimento. Só fique atento, pois muitas vezes a pilha não serve para a câmara digital, mas pode ser usada em aparelhos menos potentes. É só testar.


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