Entre 2006 e 2007, foram vendidas no Brasil 2,4 milhões de câmeras fotográficas digitais. Os números, relativos ao mercado formal, são do instituto de pesquisa GFK Marketing Services e indicam crescimento de 33%. A curva, ao final deste ano, deverá subir ainda mais, motivada pela queda nos preços das máquinas. Assim, cada vez mais pessoas sem hábito anterior de fotografar assumirão essa prática. Muitos passarão do simples registro caseiro e, para isso, contribuem modelos sofisticados mais acessíveis. Em conseqüência, será natural que uma parcela dessa "geração do megapixel" adote a fotografia como profissão. O raciocínio, se correto, aponta alguns caminhos possíveis. Muitos levam ao estúdio fotográfico.
A história de Emanuelle Cristina Rigoni serve como exemplo. A catarinense ainda não fez vinte anos, mas já atua no ramo. A decisão pelo ofício foi tomada cedo, aos dezesseis anos. Atualmente ela mora em Cuiabá, um mercado difícil, e estuda Comunicação Social na Universidade Federal do Mato Grosso. Uma época voltou para Santa Catarina. Em Balneário Camboriú conheceu gente da mesma idade e com a mesma idéia de virar fotógrafa. "Comecei a aprofundar os conhecimentos na área, procurar saber sobre esse mercado e ergui todas as informações possíveis pra saber em que chão estaria pisando", relata. De volta ao Mato Grosso, depois de seis meses longe da fotografia (perdeu a câmera num assalto), foi chamada para trabalhar num estúdio. Ficou fazendo 3x4 até o dia em que uma gestante pediu algumas fotos. Dois meses depois, foi contratada por outro estúdio, maior. Hoje, trabalha também por conta própria.
É difícil precisar quantos estúdios existem no Brasil. Uma estimativa modesta apontaria uns 3 mil. Certo é que quase toda cidade tem ao menos um. Também é possível crer que, devido à popularização da fotografia digital, eles estejam em alta. "Ela (a fotografia) está ao alcance de todo mundo, portanto, a fotografia de estúdio também ficou mais acessível", concorda Diego Eduardo Rousseaux, 46 anos. Nascido em Buenos Aires, instalado em São Paulo desde 2001, Rousseaux é especialista em still, a fotografia de produtos. Com 21 anos de carreira ele, como vários outros profissionais, acompanha atento a movimentação do mercado. Atento e um pouco preocupado: "Vejo que uma grande proporção de novos fotógrafos tentam ir pelo caminho da fotografia de estúdio como uma fonte de renda, mas carecem dos conhecimentos básicos que os habilitam a ser um fotógrafo de estúdio. Isto é, a fotografia de estúdio requer, além de muito conhecimento técnico, um olhar meticuloso e paciência: tem fotos que podem demorar dois dias", alerta.
Justamente para dar esses subsídios técnicos é que um evento inédito será realizado em São Paulo, no começo de novembro. Durante três dias, o Estúdio Brasil, primeiro congresso brasileiro especializado no tema, vai reunir profissionais de renome para apresentarem técnicas de fotografia de estúdio. Diversos segmentos estarão representados (leia mais no Box), dando uma panorâmica das muitas possibilidades que o ramo oferece. O evento servirá também de termômetro para se saber a quantas anda o mercado. "A foto de estúdio tem vários nichos. Tem gente falando que alguns tipos estão morrendo, mas para outros essas áreas estão em alta. Acho que tem muito a ver com o patamar em que você se coloca. Sem dúvida que fazer still de jóias não é o mesmo que trabalhar para varejo (supermercados e venda pela Internet). São mercados muito diferentes, mas isso não quer dizer que o mesmo profissional não atenda aos dois mercados", diz Rousseaux, um dos convidados a palestrar no congresso.
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