No momento em que lê estas linhas, algum fotógrafo pelo Brasil deve estar se debatendo com a seguinte questão do momento, no ramo de imagens: abrir ou não um estúdio? Pergunta que pede outra: se abrir, que área seguir? Não muito tempo atrás, esta pelo menos estaria resolvida de antemão, ou seja, abraçar tudo, no melhor estilo clínico-geral. No entanto, é possível que nestes dias, quando a palavra mais ouvida em vários setores é segmentação, as coisas tenham mudado um pouco. A dúvida cruel, se existe, certamente estará em pauta na segunda edição do Estúdio Brasil, congresso que ocorre em novembro, na capital paulista, e reunirá alguns muito bons profissionais do fundo infinito.
Profissionais como Fernanda Sá. Paulistana criada em Santos, 43 anos de idade, ela transita pela fotografia desde a adolescência (leia mais a respeito de sua trajetória na entrevista desta edição). Passou a lidar com o lado comercial da coisa a partir de 1992, quando abriu um estúdio junto com dois amigos. Do alto dessa sua experiência, arrisca uma análise do atual momento do setor: "Os estúdios diminuíram suas estruturas. Antes, existiam pessoas fixas dentro do estúdio, hoje são chamadas para cada job específico. A estrutura está enxuta, muitos fotógrafos não possuem mais seu estúdio, alugam de acordo com sua necessidade". Mudanças, certamente, produzidas pela agonia do filme fotográfico: "Os espaços precisavam ser grandes para que as soluções acontecessem. Hoje, com as imagens digitais, muito se resolve com pouco espaço, visando a finalização no computador", esclarece a paulistana, estabelecida na capital paulista e cujo grosso da clientela é formado por mães que ainda carregam o filho no ventre ou os têm engatinhando por aí. Uma especialista em gestantes, portanto. Mas que aprecia a analogia médica: "O clínico-geral entende do funcionamento do corpo e do que é necessário para que sua saúde funcione bem. Acho que o fotógrafo de hoje, mesmo que trabalhe com a tecnologia digital, deve buscar todo o conhecimento em relação à fotografia". E ela atua também com publicidade, o que considera bom para mudar o ritmo e impor a si alguns desafios.
Mudanças de rotina, desafios, coisas típicas dessa profissão. Leonardo Luz, 51 anos "e lá vai pedradas", vivenciou isso às pencas, se tirarmos pelos seus 42 anos de fotografia, seja aprendendo, seja lecionando, seja montando seu primeiro estúdio, o Cinco.Seis, em São Paulo, ou indo atrás da fotografia publicitária no interior, em 1981, no estúdio Contraste, em Araraquara, tudo isso desembocando no Estúdio Luz, de Ribeirão Preto (com filial hoje na capital, por necessidade de mercado). Nesse tempo todo, viu a foto publicitária, sua especialidade, mover-se numa gangorra, altos e baixos, "com picos fantásticos nos quais os preços praticados eram altíssimos, até momentos em que era percebida como desnecessária, pois as tecnologias que surgiam para ‘facilitar’ a vida do fotógrafo davam ao amador a sensação de que ele poderia fazer as fotos por si só" – ou seja, mais um "crime" no prontuário dos pixels. Leonardo, porém, reconhece as vantagens: "Tornou a vida do fotógrafo mais fácil por não ter que carregar tanto peso, não ficar com o cheiro da química e nem esperar tanto", resume.
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