Portal Photos
  Busca
            notícias revista Photos & Imagens revista Photos Magazine classificados | contato  | blog
Foto da Semana
Maristela Oeltjebruns - Berlim (ALE)
Lago congelado
Informação
Colunistas
Concursos
Cursos
Dicas de Fotografia
Entrevistas
Exposições
Lançamentos
Matérias Especiais
Notícias
Revistas
Photos & Imagens
Photo Magazine
Livros e DVDs
Congressos e Workshops
Estúdio Brasil
Wedding Brasil
Photoshop Brasil
Serviços
Blog
Newsletter
Classificados
Downloads
Galeria
Mural
Links
Contatos Photos
Assine Photos
Assine Photo Magazine
Anuncie
Expediente
Fale Conosco
Política de Privacidade
 
Blog da Photos & Imagens by Digiforum
Parceiros

Digiforum - O fórum da fotografia digital

Cine Foto Bandeirantes

Matérias Especiais

Imprimir Enviar


21/12/2004

 
A rua da fotografia
 
Protásio Nêne Protásio Nêne Protásio Nêne
Ontem, hoje... e amanhã?

Alan R. de Camargo e Lilian Rossetti

A quele rapaz de 14 anos que trabalhava como auxiliar da ótica Ocularium na Praça do Patriarca (centro velho de São Paulo), jamais poderia suspeitar que ele próprio algum dia iria se tornar também o patriarca do comércio paulistano da fotografia, e da futura capital brasileira da fotografia, a Rua Conselheiro Crispiniano. O rapaz chamava-se Alberto Arroyo e o ano era o de 1932, que começara convulsionado pela revolução constitucionalista. Próxima à praça estava a Rua São Bento e nela a Fotoptica, líder do ramo de fotografia e ótica, fundada em 1922 pelo empresário húngaro Desidério Farkas, o qual durante uma visita ao Rio para assistir à uma exposição de comemoração da proclamação da República, se interessou pelo mercado brasileiro e resolveu se estabelecer aqui. Nos meses que se seguiram passou a trazer da Europa todas as mercadorias necessárias para iniciar o seu negócio, através do Porto de Santos. Foi assim que surgiu aquela famosa empresa, e que iria dominar por muitos anos o mercado fotográfico paulistano. Da Ocularium foi trabalhar pelo período de um ano em outra loja do centro velho, especializada em suprimentos para profissionais, a São Paulo Fotográfico, na Rua 15 de Novembro. Dali foi direto procurar o gerente da Fotoptica, a qual viria a ser o seu grande trampolim para o sucesso. Lá chegando, pediu um cargo de balconista, tendo suas reivindicações atendidas pelo gerente patrício de Farkas. Já era o ano de 1935, e a primeira providência tomada por Alberto foi a de redistribuir o apertado espaço da loja, dentro do seu igualmente apertado orçamento, mas conseguiu bom resultado. Desta forma veio o primeiro reconhecimento ao talento inovador daquele jovem, cujo segredo maior porém, estava na maneira extremamente polida de tratar o público. A eclosão da segunda grande guerra mundial na Europa, em 1939, atraiu muitos patrícios de Farkas que se refugiaram no Brasil, passando a ocupar todos os cargos dentro da Fotoptica, não sobrando mais espaço para Alberto. Ele deixou a Fotoptica e foi tentar a sorte numa grande loja de departamentos, a Mesbla, que até então não dispunha dum departamento especializado em fotografia, o qual Alberto se dispôs a implantar. Depois disso a sua fama se espalhou, pois nessa época e sob a sua supervisão, a Mesbla realizou grandes importações de equipamentos Bell and Howel, câmeras Voigtländer, e outras marcas famosas. Ali o sucesso de Alberto durou dez anos, quando então Farkas, já inteirado da fama de bom vendedor e administrador do jovem, mandou-lhe uma nova e irrecusável proposta para que voltasse à Fotoptica. Farkas enfrentava uma penosa situação com a ameaça de despejo, e precisava da ajuda de Alberto para mudar-se para a nova sede que vinha construindo justamente na Rua Conselheiro Crispiniano, localizada no “centro novo” e afastada do centro (velho) comercial paulistano. Mas desta vez Alberto exigiu que fosse sócio. O homem prontamente concordou. Já era o ano de 1950, e Alberto iniciou imediatamente a transferência da Fotoptica, que passaria por um período de transição, com as duas lojas abertas simultaneamente. Devido a esse fato, Alberto teve de arranjar um outro gerente para a loja velha da Rua São Bento e convidou o Pedro Zuppo, antigo companheiro da Mesbla. Coube a Alberto, a sorte de fundar e comandar o novo centro comercial fotográfico da Conselheiro. E com mais esses dois sócios minoritários, a Fotoptica transformou-se também em sociedade anônima (são necessários sete sócios) fato que representaria um avanço na história da empresa. A transferência da Fotoptica para a Conselheiro representou um enorme esforço; a entrada da loja tinha um lay-out esquisito, com uma porta estreita e um afunilado corredor situado de viés, ficando o salão maior lá nos fundos. Foi preciso negociar a compra de uma loja vizinha especializada em fogões, a outrora famosa Valig, para ampliar a fachada e melhorar o espaço. As duas entradas ficaram divididas por uma grossa parede, que parecia ser o poço do elevador do prédio. Embaixo, havia um grande porão, onde foi instalado o laboratório P&B. Perto dali estava o âncora do centro novo, o famoso Mappin, fazendo esquina com a Conselheiro, grande gerador de tráfego. E o tráfego da loja ia também aumentando com o público que vinha de bonde desde o centro velho e descia ali. E aumentaria muito mais após 1956, ano em que Alberto participou pela primeira vez da famosa exposição de materiais fotográficos da Alemanha, a Photokina, de onde trouxe inúmeros produtos e novas idéias. Isto tudo foi fazendo crescer a fama de Alberto e da Conselheiro. Quando alguém perguntava por algum produto fotográfico ou ótico, logo lhe respondiam: “procura na Conselheiro, que lá tem de tudo!” Era a fama de centro especializado, que viria a inspirar o lema da futura jóia da Conselheiro, a Cinótica, como veremos mais adiante: “Somos Especializados Para Melhor Servir”. Mais outro incidente fortuito iria contribuir com o destino de Alberto: por volta de 1960 o filho herdeiro de Farkas passou a demonstrar ciúmes de Alberto, pois todo mundo pensava que o dono da Fotoptica fosse ele. Convocou uma reunião extraordinária da sociedade anônima. Quando ficou sabendo disso, Alberto se adiantou. Exatamente como da vez anterior, e como era da sua índole pacífica, fez as suas trouxas e foi montar sua própria loja perto dali, a Cinótica, na Rua Xavier de Toledo, não sem antes ser forçado a assinar um acordo com Farkas, de “não entrar na Conselheiro pelo período de dois anos”. Passou a atender quase que exclusivamente aos profissionais. A imposição de Farkas não impediu Alberto, mas atrasou um bocado o seu lado: foram dois longos anos de paciente espera. Decorrido o prazo pactuado, em 1962 chegou aos ouvidos de Alberto a notícia de um prédio que vagara havia 10 meses. Esse prédio ficava bem defronte à Fotoptica e aí Alberto não teve dúvida, foi lá e fechou o negócio. Naquela nobre localização, a Cinótica conquistaria o status de loja do ramo mais especializada e sortida do Brasil em todos os tempos. Quase tudo o que se pudesse imaginar em termos de fotografia, ótica e cinema podia ser encontrado ali. Ex-funcionários contam que no depósito do “bixiga”, próximo dali, chegou-se a acumular a quantidade de mil projetores de slides de uma só vez, além de milhares de outros produtos. Mas Alberto não ficou restrito somente à atividade comercial da Cinótica; incentivou também a cultura e a profissão, inaugurando duas importantes escolas do SENAC: a de ótica e a de fotografia, sendo esta última a única faculdade de fotografia existente hoje no Brasil. Alberto dirigiu por dez anos consecutivos o sindicato das empresas fotográficas de São Paulo, o SEAFESP. Foi também o criador do Museu da Fotografia, que funcionava no mezanino da Cinótica, contando com mais de 200 peças, algumas delas muito raras. Foi o promotor da primeira exposição de fotografia da capital paulista, realizada no edifício da “Gazeta” e criador da “Rua da Fotografia”, uma exposição de fotos ao ar livre em plena rua Conselheiro, a qual pretende ressuscitar. Alberto Arroyo foi o patriarca não somente do comércio, mas também da cultura e profissão fotográficas. A história recente Muito se especulou sobre os reais motivos que levaram os proprietários da Cinótica a vendê-la ao grupo Iguatemi em 1994, este já desfeito e incorporado pela atual Fotoptica, que por sua vez também não mais pertence aos tradicionais proprietários, mas a um Banco norte americano, gerenciador de fundos de pensões daquele país. O fator decisivo para a venda da Cinótica foi a vigorosa descapitalização que a empresa sofreu durante o “Plano Cruzado”. De acordo com aquele plano governamental, todos os preços de venda estavam congelados, mas os custos dos fornecedores continuavam subindo. Não raramente a empresa se deparava com concorrentes vendendo produtos pelo mesmo preço que ela própria comprava. Muitos deles eram atacadistas comprando com descontos oferecidos pela indústria, o que os colocava em posição vantajosa, principalmente quando vendiam no varejo pelos mesmos preços do atacado. De um lado, estava a Labortec, na Rua Capitão Salomão, uma espécie de extensão da Conselheiro do outro a Fotoplan (e que mais tarde entraria também com loja própria na Conselheiro). Outra loja da época foi a Nova, que comprara anteriormente a Lutz Ferrando, vizinha da Cinótica e depois a vendeu juntamente com a sua rede à Photografy, com quatro lojas no local. A Cinótica, que não contava com os descontos da Kodak, ficou prensada no meio dos atacadões do mercado, sem poder esboçar defesa, e eles foram crescendo, enquanto a Cinótica definhava. Foi aí que Alberto Arroyo decidiu vender a empresa. O panorama atual Lojistas da Conselheiro acreditam que a rua vive um momento de renovação, com a abertura de novas lojas como a Foto Ótica Profissional, inaugurada em abril passado. E para eles, a tradição da Conselheiro em comercializar equipamentos profissionais é imbatível. Mas, por estar localizada bem no centro da cidade de São Paulo convive com alguns fatores inerentes aos grandes centros urbanos como a invasão de camelôs e a falta de segurança, o que acaba afetando o movimento de clientes. José Fernandes, da Foto Magazin, é categórico sobre o que é para ele hoje a rua. “A Conselheiro continua sendo um centro fotográfico e sempre vai ser. Já enfrentei várias crises econômicas aqui e sobrevivi a todas e a tendência é de crescimento, pois novas lojas deverão ser abertas”, diz. A mesma opinião é compartilhada por Francisco Alves Xavier, da Consigo. Para ele, a Conselheiro é predestinada a ser a rua da fotografia. E sobre a questão da segurança ele acredita que em outros tempos a falta de policiamento era maior. “O centro de São Paulo está policiado e também é de fácil acesso, pois há estações do metrô próximas e só não visita aqui quem não quiser”, assinala. De acordo com Xavier, que atua há 30 anos no ramo fotográfico, hoje o comércio local vai muito bem, obrigada. “Neste tempo todo a rua cresceu em volume de lojas e se fortaleceu. Também foram abertas novas oficinas. O movimento não cai porque há uma tradição, continua forte e não perdeu em nada para os shoppings”, diz. Sobre o futuro, Xavier vê na fidelização de clientes o maior trunfo para a conquista de mais clientes e a manutenção daqueles que já são fiéis à sua loja. Tanto que para ampliar seus negócios, fez reformas, criou um espaço cultural para exposições fotográficas e agora investe na área de consumo para o fotógrafo profissional, oferecendo mais opções em papéis, químicos, equipamentos de luz e ampliadores. “Tenho a minha clientela e quero atendê-la bem, complementando a minha linha de produtos ”, diz ele. Fernandes também afirma que o ramo fotográfico nunca pára totalmente. “Há a sazonalidade, mas isso é assim em várias áreas do comércio”, destaca. O proprietário da Foto Magazin está na Conselheiro desde 1962. Foi funcionário da Cinótica e da Fotoptica e prevê um bom futuro para os comerciantes do local, especialmente com a chegada do digital. “Ainda vai demorar para pegar, porque o equipamento digital é muito caro e se desatualiza rapidamente, mas já notamos uma boa aceitação das câmeras”, ressalta. Armando Gonçalves, dono da Foto Ótica Profissional, a caçula da Conselheiro, se define como um otimista de plantão. Mudou-se do 1º andar do nº 53 da mesma rua para onde funcionava a G.Aronson. Agora, ocupa um espaço bem maior e como diz: “estou no olho do furacão”, referindo-se à nova localização de sua loja. Para ele, o fato de ter investido numa rua, cujo comércio vem sendo considerado por muitos decadente, não significa estar remando contra a maré. “Eu acredito no comércio. Quem é bom vende aqui ou vende no shopping. Além disso, montei uma loja diferente, clean, bonita, bem organizada e com pessoas experientes. O mais novo dos meus funcionários tem dez anos no ramo”, ressalta. Gonçalves optou pela segmentação. Oferece serviços de ótica e comercializa produtos fotográficos tanto para o público amador quanto para o profissional. “Na parte de ótica, o sucesso vem a médio prazo. Como a fotografia está se reestruturando com o digital e o APS e o custo do filme está cada vez mais baixo, resolvi concentrar esforços na variedade e na qualidade dos produtos e não ter logo de início um minilab para revelação, apesar de eu terceirizar este tipo de serviço”, justifica. Gonçalves afirma que nestes primeiros meses da loja, o movimento de clientes está oscilando, mas dentro de suas expectativas, porém até o final deste ano o lojista prevê um crescimento de, no mínimo, 50% nas vendas. Conselheiro tem futuro? A esperança para a Conselheiro está num olhar para o passado. Segundo o patriarca Alberto Arroyo, é a especialização! Ela passa obrigatoriamente pela informação; quem é especializado é bem informado para também poder informar. É o conceito de consultoria de balcão, agregando valor ao produto e serviço que se vende. Todos querem ser bem atendidos por alguém que entende do que está vendendo. Arroyo lembra que ao lado da especialização está a habilidade nas relações públicas, responsável por outro lema da antiga Cinótica que era: “Faça do cliente um amigo”. Essa era a meta de todos os funcionários da Cinótica. Outra solução para revitalizar a rua Conselheiro Crispiniano, para mantê-la como sinônimo de fotografia, seria transformá-la em uma rua temática, com vários atrativos que valorizassem a fotografia. Para isso é necessária a participação direta do poder público, aliada à mobilização e união dos lojistas. Um projeto sério certamente evitaria a dispersão da referência que tornou a Coselheiro Crispiniano sinônimo de fotográfia nos últimos 50 anos.


Matérias Relacionadas
 
Borracharia vira tema de exposição e “galeria”

Exposição do fotógrafo paraense Michel Pinho ganha exibição em local insólito

Artigo: Sobre fotojornalismo e esquizofrenia social

Ao clicar a atividade do poder ilegal na sociedade, o fotojornalista sem dúvida corre risco

Exposição de Raul Feitosa nos 68 anos do FCCB

Em homenagem ao seu aniversário, tradicional fotoclube exibe “O momento único para a eternidade”

Venezuela pelos olhos de Horst Friedrichs

Com ‘Cem anos de solidão’ na cabeça, fotógrafo alemão achou matrizes vivas do realismo fantástico sul-americano

Especial: Um panorama da fotografia austríaca

Quando se fala em fotografia na Áustria, o Museu de Winterthur vem à tona. A sua programação é intensa e variada


 
Enquete Photos
Wall Papers