Gostinho de quero mais
Foto: Studio Gaea
“Uma overdose de técnicas‚ criatividade e experiências fotográficas”. A frase da matéria postada no blogue do fotógrafo Lauro Andrade expressa bem o que foi a terceira edição do Estúdio Brasil‚ que aconteceu no início de novembro em São Paulo. A diversidade de temas e a qualidade dos fotógrafos/palestrantes que subiram no palco do Memorial da América Latina foram fundamentais para que a repercussão fosse tão positiva entre os congressistas.
A proposta do Estúdio Brasil é levar informações que possam ser úteis aos profissionais da fotografia. É evidente que a grade de palestras e workshops não vai agradar 100% do público‚ até porque uns gostam mais disso‚ outros gostam mais daquilo. O fotógrafo Ricardo Milani comentou em seu blogue que aproveitou 30% da palestra do norte-americano Blake Discher. É justamente isso: Milani é super envolvido na sua profissão‚ procura estudar todos os aspectos‚ inclusive o assunto abordado por Discher. Entretanto‚ é bem provável que outros profissionais menos atentos a essa importante ferramenta (Internet) tenham aproveitado 70% das informações.
Informação. Essa é a palavra-chave. “Respirei informação”‚ destacou a fotógrafa Bruna Prado em seu blogue. E ainda acrescentou: “O Estúdio Brasil 2010 cumpriu em 100% a sua missão de informar e ensinar com ética… Todos os palestrantes tinham características diferentes‚ mas encontrei algo em comum entre eles: a capacidade diferenciada de ver e criar uma fotografia”. Esse algo em comum pode ser estendido ao comentário publicado pelo blogue Arte na Lente: “Além de dicas sobre técnicas‚ as palestras se tornaram um canal de incentivo e melhoramento do lado empreendedor de muitos dos profissionais presentes”.
O importante é discernir que o profissional‚ ao participar de um congresso do nível do Estúdio Brasil‚ não estará frequentando uma sala de aula – apesar de receber um certificado de participação. A função do evento é oferecer condições para o desenvolvimento profissional do fotógrafo‚ assim como servir de suporte para a troca de ideias de profissionais que convivem em mercados e realidades bem diversificados‚ conforme sugere um Brasil de dimensões territoriais‚ com diferentes culturas e realidades. Esse intercâmbio é tão interessante quanto estar lá vendo e ouvindo os profissionais que estão no palco passando conhecimento.
O Blog do Fotógrafo comentou: “Algumas pessoas reclamaram da palestra dela (Mary Duprie)‚ mas é importante lembrar que direção de modelos não é algo que você aprende em duas horas‚ leva-se anos para desenvolver seu estilo e sua forma de dirigir. É necessário ter experiência‚ não só fotográfica como de vida. O Estúdio Brasil 2010 não é um lugar para se aprender todas as técnicas de fotografia de estúdio‚ mas uma oportunidade de aprender processos. Claro que se prestarmos atenção‚ aprenderemos algumas técnicas. Volto a repetir‚ o mais importante é aprender processos‚ aprendermos como fazem os fotógrafos mais experientes‚ para podermos ver o que fazemos de errado‚ o que fazemos certo e o que eles fazem de errado e que nós iremos revolucionar”.
Enfim‚ em sua terceira edição‚ o Estúdio Brasil mostrou a sua mais real face. Ou seja‚ chegou mais próximo ao projeto que o concebeu inicialmente. E podemos atribuir essa aproximação à maior diversificação de temas‚ à escolha a dedo dos profissionais/fotógrafos/palestrantes‚ ao local e‚ também‚ ao amadurecimento do público que tem ido ao Estúdio Brasil. “O Estúdio Brasil 2010 se despediu de todos com uma alegria no ar‚ com a impressão de que foi um sucesso e deixando o público com vontade de pôr em prática vários dos conceitos aprendidos nestes três dias‚ além é claro do gostinho de querer voltar e trocar mais experiências”‚ escreveu o fotógrafo Marcio Neves em seu blogue Além do Olhar. O Fotocolagem foi mais direto no assunto: “O Estúdio Brasil encerrou seu ciclo de palestras com gostinho de quero mais”. Este ano tem mais.
Eu fui!
Três congressistas podem ser considerados personagens do Estúdio Brasil 2010. Cada um deles com uma história a contar‚ como a do venezuelano Manuel Carreño‚ que descobriu o evento pela Internet e decidiu cumprir uma maratona de seis dias entre os workshops e o congresso.
Carreño saiu de sua cidade‚ Puerto Ordaz‚ no interior da Venezuela‚ direto para São Paulo. Participou dos workshops dos fotógrafos Maurício Po‚ Newton Medeiros e José Roberto Comodo. Ficou encantado com tudo. “O melhor é que são pessoas de alta qualidade humana e com muito bom humor‚ dispostos a ajudar no momento de uma dúvida”‚ comentou o fotógrafo.
Sobre o congresso‚ Carreño foi só elogios: “Espetacular. Muita qualidade entre os congressistas‚ muito bem preparado‚ com grande número de assistentes‚ o Memorial da América Latina é assombroso. A organização foi uma ‘máquina’ de muitas pessoas que trabalharam para que este evento fosse um êxito. Se aprende muito e se compartilha conhecimento‚ se faz muitos bons amigos”. Carreño tem 30 anos de fotografia. Dedica-se à fotografia de natureza e industrial. Há 25 anos faz fotografia aérea. Atualmente‚ também faz fotografia de casamento. “Sou uma pessoa muito otimista e alegre. Não tenho preferência por algum tipo específico de estilo fotográfico. Sempre me acompanha uma câmera. Sou um colecionador de imagens. Tenho a crença de que um fotógrafo tem que estudar muito”.
Nem o fato de ser deficiente auditiva foi capaz de desencorajar a soteropolitana Verena Fontes de participar pela primeira vez do EB. Ela não se considera uma fotógrafa profissional. Seu contato com a fotografia aconteceu no curso de design‚ daí tomou gosto e cursou pós-graduação em artes visuais‚ o que a fez experimentar as variadas formas de expressão visual na área da fotografia. “Tenho fotografado bem com câmera digital‚ me preocupando com ângulo‚ sombra‚ cores”‚ frisa Verena.
Sua participação no congresso foi justamente para buscar o conhecimento que ela afirma ainda não ter. “Participei do congresso de fotografia com o objetivo de buscar informações tanto a respeito dos equipamentos como das técnicas utilizadas na arte de fotografar. Embora seja deficiente auditiva‚ aprendi a fazer a leitura labial‚ o que me possibilita assimilar o que as pessoas falam‚ desde que falem de frente para mim. Nem sempre isso foi possível no congresso‚ devido à movimentação que os expositores faziam no palco‚ mas as dúvidas foram esclarecidas pela minha tia‚ que me acompanhou no evento”‚ explica a fotógrafa‚ que deixa uma sugestão à organização do evento: “Ficaria agradecida se as gravações das palestras contassem com a opção da legenda‚ pois facilitaria bastante”.
Fotografando preferencialmente pessoas‚ animais e objetos‚ Verena diz que foi conquistada pela fotografia do norte-americano Michael Grecco. “Antes do evento‚ eu não sabia nada do Michael Grecco. A apresentação dele foi um sucesso. Fiquei fã do Grecco‚ pois admirei as ferramentas (ângulos‚ luz e sombra‚ formas suaves e linhas duras) das fotos. Senti que ele transformou as fotos em obras da arte. Nunca vi um fotógrafo tão intenso‚ com tanta vontade de capturar momentos especiais. Grecco é fantástico”.
Vinicius Rodrigues reside na Praia Brava‚ um pequeno paraíso no litoral de Itajaí (SC). É fotógrafo profissional‚ ganhando dinheiro em sessões de surfe‚ skate‚ voo livre e books fotográficos em estúdio ou externa. Ele uniu o útil ao agradável ao viajar de moto até São Paulo‚ onde acompanhou o EB 2010‚ uma pequena aventura que ele definiu como adrenalina pura. “Há tempos eu planejava fazer uma viagem dessas. Queria ir de moto para poder fotografar na estrada e também poder me deslocar com mais facilidade em São Paulo”.
Rodrigues é acadêmico em fotografia pela Universidade do Vale do Itajaí. Atualmente está montando sua empresa‚ a Shoot Photo & Vídeo. Fotografia esportiva é o seu foco: “Estou investindo a maior parte do tempo para me tornar um bom fotógrafo de surfe”‚ observa ele‚ que começou a faculdade de design na mesma universidade‚ mas transferiu para o curso de fotografia muito provavelmente por causa dos tempos de criança‚ quando acompanhava o pai fotógrafo. “Desde garoto via meu pai fotografar com uma Canon D70 e fazer filmagens em festas. Pegava as câmeras e saía filmando e fotografando o que via pela frente”. Com relação ao EB 2010‚ Rodrigues economizou nas palavras: “Achei que valeu a pena”.










