Mitos e verdades sobre fotografia digital (3/3)
Foto: Divulgação P&I
Nas duas primeiras partes desse artigo‚ o fotógrafo Alex Villegas‚ um especialista em tratamento de imagens‚ gerenciamento de cores e fluxo digital‚ falou sobre como identificar quatro dos mitos mais comuns da fotografia digital‚ dando prioridade às de pós-produção e impressão. Nessa última parte‚ Villegas encerra o artigo – originalmente publicado na revista P&I‚ edição #73 – desmistificando outra crendice da fotografia digital. Confira!
RAW é inviável em eventos sociais – MITO!
Ao longo dos últimos anos‚ o formato Raw tem ganhado cada vez mais adeptos entre os fotógrafos profissionais – mas ainda não conquistou os fotógrafos de eventos sociais. Um dos motivos é a crença de que o tamanho e a necessidade de processamento tornam o fluxo de trabalho mais lento‚ e que a diferença de qualidade não é visível pelo cliente final. Mas o fato é que o trabalho em Raw apenas exige uma certa preparação prévia e otimização do fluxo – cumprida essa etapa‚ o trabalho em Raw fica tão ou mais ágil do que sua contraparte em JPEG.
O trabalho em RAW permite certas regalias‚ como: flexibilidade absoluta no balanço de branco; possibilidade de aproximar muito a resposta de cor de câmeras diferentes; arquivos passíveis de maior interpolação; maior latitude. O tamanho maior dos arquivos é contornado pela nova geração de câmeras‚ que tem maiores buffers e a alternativa de alta velocidade do formato sRaw – small Raw‚ ou um arquivo Raw com menor resolução – pelos cartões de memória maiores e mais rápidos‚ computadores mais ágeis e principalmente pelos softwares como o Adobe Lightroom.
O Lightroom permite que se usem técnicas específicas para o processamento de grandes volumes de fotos‚ e oferece uma agilidade sem precedentes no tratamento de imagem. Visto que ele age através de parâmetros que só são aplicados na imagem na hora de exportar – sem necessidade de longos processamentos ou de “salvar” o trabalho – operações como tratamentos criativos de cor‚ conversões para PB e afins podem ser testadas e realizadas com velocidade sem precedentes‚ através dos chamados presets. Experimentar é muito rápido no Lightroom.
Normalizações de cor podem ser feitas já na transferência de arquivos do cartão de memória para o computador‚ e a “receita” de processamento de uma imagem pode ser aplicada em centenas de outras‚ através de um simples ato de copiar e colar.
Nem só de teoria vive o homem‚ e pus os argumentos à prova‚ fotografando alguns eventos‚ sincronizando duas ou mais câmeras‚ e processando sessões de fotos com mais de mil cliques.
Acreditem em mim‚ não desmereço quem fotografa em JPEG‚ longe disso. Mas entendo que seja uma questão de mera preferência pessoal‚ porque ao longo dos últimos meses de pesquisa e prática‚ confirmei que Raw não só é perfeitamente viável‚ como muito recomendável na grande maioria dos casos.
Na prática a teoria é outra – VERDADE!
Mas não tome minhas palavras por verdade incontestável: podem me acusar de relativista‚ mas acredito piamente que conhecimento sem experiência de nada serve. Muitas das crendices e mitos da fotografia estão aí simplesmente porque foram verdade um dia‚ mas foram privados desse status pela evolução vertiginosa da tecnologia. A limitação de hoje fatalmente será contornada amanhã.
Assim são os dogmas: enquanto não são contestados‚ eles vão ficando‚ feito visitas chatas. Então‚ você que lê estas linhas‚ aceite meu convite e exercite sua capacidade crítica. Comprove as informações acima na prática‚ pense em outras afirmações clássicas – já não parecem tão sólidas e incontestáveis agora‚ não? Que tal testá-las? Tecnologia e informação existem para facilitar nossa vida‚ não para limitá-la e complicá-la.
*Leia a primeira e a segunda parte desse artigo‚ caso as tenha perdido.








