Proibido entrar com câmeras profissionais!

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Foto: Cleber Medeiros

Inicialmente‚ fui sem a câmera e pedi para falar com o coordenador dos fotógrafos da empresa de formatura responsável pelo evento. O pro­blema é que‚ até eu conseguir de fato falar com o responsável‚ cada funcionário da empresa tentava me dissuadir da ideia‚ argumentando que se tratava de algo contratual entre a co­missão de formatura e a empresa.

Interessante o conflito pessoal nesse mo­mento: por um lado‚ como convidado‚ me senti irritado‚ como se eu estivesse sendo tolhido de um direito meu‚ que seria o de registrar um ente querido à minha maneira e presenteá-lo depois. Por outro lado‚ me coloquei no lugar dos profissionais e da empresa envolvida‚ lembrei do mega investimento para ter ex­clusividade nos registros da formatura e que seria natural que eles achassem que eu estava ali para fotografar e vender as imagens mais barato depois aos formandos.

Depois de falar com quatro pessoas con­segui chegar até o responsável pela equipe de fotógrafos. Inicialmente‚ ele veio com o mesmo discurso dos outros funcionários‚ mas logo o desarmei quando eu disse que não estava ali para concorrer com ninguém‚ que ficaria sentado fotografando sem atrapalhá-los e que o fato de eu fazer algumas fotos não inviabilizaria a venda das imagens feitas por eles‚ já que seriam olhares bem diferentes e eles teriam vários ângulos a explorar‚ enquan­to eu teria apenas um.

O coordenador ainda estava titubeante em aceitar‚ até o momento em que argumentei que eu fotografaria sem flash‚ sem chamar atenção. O ambiente es­tava muito escuro‚ talvez por isso ele tenha consentido. Fui elogiado por não ter sido mal educado‚ no melhor estilo “vamos ver se não vou entrar com minha câmera”‚ que ele disse ser muito comum nos eventos. Logo após‚ fui ao meu carro‚ peguei uma Nikon D300s munida apenas de uma tele 80-200mm f/2.8 e voltei ao evento.

Fiquei no meu canto e a cada oportunidade eu disparava uma sequência de cliques‚ considerando que a fotometria estava indicando 1/60s de velocidade e f/2.8 de abertura com ISO 1600. Nessas condições‚ fotografar em sequência pode favorecer a captura de algumas fotos não tremidas‚ considerando que eu deveria estar utilizando no mínimo dois pontos a mais de velocidade para não tremer.

Ao término do evento tive um aproveitamento relativamente bom‚ apesar das condições: cerca de 60 a 70% das fotos estavam nítidas e sem tremores‚ e o melhor‚ agradei uma pessoa querida sem criar confusão e estragar a festa em um dia tão especial.

*Artigo originalmente publicado na revista P&I‚ edição #84.


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