Na contramão do sonho europeu
Foto: Lucca
Estudar ou trabalhar na Europa é um sonho para muitos fotógrafos‚ graças ao glamour do Velho Continente‚ à fama dos profissionais que atuam por lá e ao prestígio das escolas de fotografia locais. Há‚ no entanto‚ quem faça o caminho inverso‚ trocando o charme e a aparente estabilidade – sem falar nos euros – do mercado europeu pelo brasileiro‚ ainda sem tanto reconhecimento internacional‚ mas já surfando na onda do crescimento econômico.
É o caso do inglês Lucca – sem sobrenome mesmo –‚ que deixou a Inglaterra em setembro e se estabeleceu em São Paulo‚ de olho nos mercados de moda e publicidade. Com família na capital paulista‚ na qual morou na infância‚ diz que a crise econômica que sacode a Europa atinge todas as áreas‚ e a fotografia não poderia passar incólume por ela. “A dificuldade é para todos‚ e ainda maior para os novos fotógrafos‚ que tentam entrar no mercado. Me lembro de um professor do curso de fotografia dizendo que‚ dos 40 alunos da classe‚ apenas 5% iam realmente encontrar trabalho no ramo. Cinco colegas foram estudar outra coisa”‚ conta.
Se dizendo “impressionado com o poder cultural que o Brasil tem a oferecer” e confiante no crescimento do país‚ principalmente na área de moda‚ Lucca baseia sua certeza de conquistar uma parte desse mercado no alentado portfólio que montou nos apenas três anos de trajetória formal na fotografia. Revistas são um dos alvos potenciais. “Gosto muito de editoriais de moda‚ setor em que trabalhei muito na Inglaterra. Não é uma área que paga tão bem‚ comparando com a publicidade‚ mas dá prestígio no mercado‚ o que acaba se transformando num bom investimento. Clientes com orçamentos maiores buscam fotógrafos mais reconhecidos”‚ comenta.
Em busca de um local para montar seu estúdio‚ Lucca vem entrando em contato com instituições de ensino de moda com uma proposta de parceria. “O objetivo é trabalhar com alunos dessas escolas‚ incluindo estilistas‚ designers‚ maquiadores‚ produção. Isso ajudaria a montar o portfólio de todos eles‚ ajudando em suas carreiras”‚ explica. Prática comum na Europa‚ segundo ele‚ mas que ainda não parece muito popular por essas bandas. “Me surpreendi. Entrei em contato com mais de cinco faculdades‚ mas o retorno‚ por enquanto‚ foi muito pequeno. Isso parece ser uma coisa nova aqui na Brasil”‚ analisa. Uma ideia‚ pelo menos‚ já está em andamento: com alunos da Universidade de São Paulo‚ realiza um projeto sobre as culturas imigrantes da região Sul do país.
Com apenas 20 anos‚ Lucca já trabalhou para clientes do porte da Mercedes-Benz e The Times‚ entre vários outros. “Comecei com casamentos‚ fui para a área editorial e depois veio a publicidade”‚ recorda. Ter trabalhado com clientes tão diferentes‚ para ele‚ é um ponto positivo. “Me deu versatilidade‚ sou capaz de lidar com qualquer tipo de briefing ou situação”‚ acredita. Na Inglaterra‚ a maior parte de seus trabalhos vinha através de agências de publicidade – uma delas‚ a Taygeta‚ chegou a investir em equipamentos para ele‚ além de bancar alguns de seus projetos. “Foi a primeira que me contratou‚ e acabamos firmando uma parceria”‚ conta o fotógrafo‚ que continua produzindo para a agência‚ que inclusive tem planos de montar uma subsidiária no Brasil.
Lucca estudou fotografia comercial na Arts University College‚ na cidade de Bournemouth. Um curso‚ segundo ele‚ interessante e difícil‚ com ênfase também nas áreas de vídeo‚ digital e pós-produção. Para o fotógrafo‚ freqüentar uma escola desse tipo ajuda muito‚ pois se aprende de História da Arte a gerenciamento da carreira‚ mas indica a boa e velha prática como melhor professora. “A melhor formação que pude ter foi ser assistente de vários fotógrafos”‚ assegura. Leia a matéria na íntegra na revista P&I‚ edição #85.
Foto: Lucca
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