Técnicas de iluminação: adicionando cores

Depois de vermos o percurso da luz e classificarmos os acessórios conforme o ângulo de iluminação, é hora das cores. POR DANIEL MAGALHÃES

 

Nas primeira e segunda partes desta série, analisamos o percurso da luz ao sair de uma fonte luminosa, classificamos os acessórios de estúdio conforme o seu ângulo de iluminação em áreas 1, 2 e 3 e vimos as possibilidades e os diferentes efeitos que podemos obter tanto na pessoa fotografada quanto no tom de fundo utilizando modificadores de diferentes áreas. Nesta terceira parte, vamos adicionar cores e explorar outras possibilidades nas fotos, aplicando os conhecimentos apreendidos nas edições anteriores de diferentes formas e utilizando mais luzes.

Gosto muito dos acessórios de área 1 ou 2 pois possibilitam uma luz mais direcionada e pontual, me dando maior controle sobre onde quero as sombras e a profundidade delas. Na edição anterior, vimos como criar um fundo branco absoluto, ideal para fotos de lookbook e muito aplicado em books de casais e de crianças. Para isso, foi necessário direcionar ao fundo dois striplights de área 3 para obter um fundo branco por igual sem criar degradê. Podemos trocar esses striplights por apenas um snoot e teremos um feixe de luz suave no fundo que ajuda a destacar a modelo, separando-a do fundo (foto que abre este artigo). Importante ressaltar que, para iluminar a modelo, optei por um softbox de área 2, acessório de ângulo de iluminação menor, que permite tornar a luz mais direcional à modelo sem interferir na luz que criei no fundo, preenchendo as sombras que criei.

Na foto acima, utilizei um striplight direcionado à modelo e um refletor parabólico pequeno, de 180mm, com barndoors, direcionado ao fundo. Os barndoors ou “bandeiras”, como também são chamados, possuem suporte para filtros e, neste caso, utilizei um filtro amarelo. Para que a luz do striplight não interferisse na luz do fundo, procurei afastar a modelo e utilizei um isopor logo atrás da luz, para minimizar a interferência.

Outra luz ainda muito utilizada é a contraluz, que ressalta contornos, separa a modelo do fundo e cria efeitos interessantes. Uma dica muito comum é usar a contraluz sempre no lado oposto ao da luz principal, para que possamos ver melhor o contorno iluminado criado por ela. Nesta foto acima, optei por fazer com que essa contraluz causasse um flare direcionando-a mais à minha objetiva. Consegui, assim, uma textura menos nítida, que pode remeter à do cinema clássico, e um feixe de luz logo abaixo do rosto da modelo. Para manter meu fundo cinza, usei acessórios de área 2: um refletor parabólico de 180mm para iluminar a modelo e um snoot curto, mais aberto, para a contraluz.

Nessa próxima foto, utilizei dois refletores parabólicos de 180mm, com colmeia e filtros, um azul e um vermelho. Os acessórios estão alinhados com a modelo, como mostra o diagrama. É importante que ambos estejam com a mesma potência para que a luz de um acessório não saia mais escura ou mais clara que a do outro (esquerda). Fiz esta foto em um estúdio de fundo branco, mas, como vimos na edição anterior, o fundo preto da foto se deve ao fato de ter usado acessórios de área 2, que fazem com que pouca ou nenhuma luz chegue ao fundo, deixando-o escuro.

Nessa etapa, vemos de forma mais clara a importância do fotômetro no estúdio. Quando trabalhamos com duas ou mais luzes e precisamos medir cargas ou valores que devem ser iguais ou com diferenças bem específicas, o fotômetro torna todo o nosso trabalho mais exato, mais rápido e assertivo.

Ainda com esses mesmos acessórios, mas agora com a modelo encostada na parede, fiz esta outra foto (centro). Ambos os flashes continuam com a mesma carga, de forma que as luzes iluminem com igual intensidade. O refletor parabólico com filtro azul está direcionado ao rosto da modelo e o refletor com filtro vermelho, mais abaixo, direcionado ao corpo.

Após isso, apenas mudei o refletor parabólico com filtro vermelho para o lado direito da modelo. Vemos que agora tenho dois círculos de luz mais pronunciados e um contorno preto no lado direito da foto, pois não temos nenhuma luz direcionada ao fundo (dir.).

Tenho visto uma tendência no uso de grandes sotboxes em estúdio que, em alguns casos, são mesmo indispensáveis. A luz difusa, de área 3, proporciona maior liberdade de movimentação à modelo e melhor controle de sombras, pois ficam suaves, mas é importante não descansar nessa facilidade. Equipamentos de área 1 ou 2 nos proporcionam luzes bem direcionais, de sombras mais profundas e ângulo pequeno de iluminação. São luzes que pedem mais cuidado no posicionamento da pessoa fotografada e mais atenção às sombras, mas os resultados são interessantes e esses acessórios proporcionam uma luz que, por vezes, acreditamos só obter com luzes contínuas.

Com os princípios e os efeitos de cada acessório em mente, podemos criar com mais facilidade. Ao observar uma foto ou ter uma ideia para um trabalho, sabemos por onde começar e qual modificador de luz utilizar, pois entendemos o percurso da luz e conhecemos o ângulo de iluminação. O treino e a prática são muito importantes, bem como a vontade de quebrar paradigmas e sair da zona de conforto, experimentando luzes que ainda não utilizamos. Boas fotos!

 


Sobre Daniel Magalhães

Daniel Magalhães é fotógrafo de books e moda, professor de book externo e iluminação em estúdio na Escola de Imagem. Também desenvolve projetos na área de audiovisual: dirigiu o clipe da banda 21 Dias, exibido no canal Multishow. Atualmente está dirigindo a websérie Sophia, na qual utiliza as DSL Rs nas gravações.
(http://sophiafilme.wordpress.com/)


 

Matéria publicada originalmente
na revista PHOTOS
& IMAGENS #83.

 

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