Transparências, um jogo rápido
Quase todos os dias nos deparamos com esta dificuldade: fotografar algo que se vê através de outro objeto. POR LEONARDO E KAUÊ LUZ
Isso não seria problema se a intenção não fosse empregar imagens híbridas, que implicam recortar um copo, por exemplo, para ser aplicado em outro fundo. Como é esse o caso, passamos a ter um complicador maior, pois temos que pensar em recorte, refração e distorção da imagem do fundo, em função da transparência. Vamos complicar um pouco mais colocando um splash. Assim, além do vidro, temos o líquido, que também possui transparência. Lembre-se que alguns diretores de arte adoram a frase “por que facilitar se podemos complicar?” Brincadeiras à parte, isso é bem comum.
Porém, esse tipo de imagem, quando usado em nossos cursos, continuamente causa espanto, principalmente pela simplicidade das soluções que podemos usar. A começar pela câmera: hoje 95% delas têm um dispositivo para fotografar várias chapas por segundo, o que nesse caso será muito útil, pois a proposta é pegar rapidamente o líquido caindo sem precisar de horas de montagem no Photoshop.
O enquadramento deve prever toda a cena, mesmo o que você não está vendo mas sabe que pode aumentar a área quando o líquido espirrar. Uma boa solução é trabalhar com uma meia-tele, com distância focal que permita afastar um pouco mais a câmera da área onde teremos líquido espirrando.
Como estamos fotografando algo com transparência, não há o que duvidar: a luz deverá vir de trás. Até porque, na maioria dos casos, um copo, uma taça ou uma garrafa têm um forte poder de reflexão, o que causaria um enorme reflexo se usada uma luz pela frente. Então, podemos fazer de duas formas: com flash ou com luz contínua. A vantagem do flash é que temos uma facilidade maior no registro do splash, já que sua velocidade chega a milhares de décimos. Mas, para a transparência do copo, tanto faz se estivermos usando luzes contínuas. Neste caso, usaremos uma luz contínua atrás do copo, com uma ligeira inclinação para cima ou para baixo. Uma luz de 150 watts é mais do que suficiente se pensarmos em pequenas produções. Um modificador de luz, não muito aberto, também irá ajudar a evitar desperdício de luz.
O mais importante agora é colocar um difusor branco para deixar a luz bem espalhada e lembrar que o copo funcionará como uma lente, tal como uma grande-angular. Assim, um grande difusor será necessário.
A fotometria deve ser feita com o fotômetro de luz refletida, apontando o sensor para o fundo branco através do copo. Isso significa que, se você colocar os números de diafragma e velocidade apontados pelo fotômetro, quando este estiver em seu melhor ISO, o fundo ficará próximo ao cinza médio. Se quiser transparência total eu devo abrir três stops no anel de diafragma. Acho uma boa pedida 1,5 a dois stops, pois teremos um cinza fácil para recorte.
Não podemos esquecer que estamos fotografando uma cena que exige profundidade de campo e uma velocidade adequada ao efeito de movimento necessário, seja para congelar ou mesmo intensificar a sensação de movimento. Em alguns casos, para obtermos um determinado efeito, teremos que abrir mão da qualidade e alterar a sensibilidade.
No caso apresentado neste artigo, fizemos uma foto com ISO bastante alto, pois a imagem era apenas para internet, e outra com flash, para termos uma luz mais intensa e assim reduzir o ISO e evitar ruídos.
Tudo enquadrado, iluminado e fotometrado, vamos corrigir com os nossos famosos espelhos alguns pontos importantes da imagem, como o rótulo do vinho ou as uvas da cena, que iremos iluminar com pequenos espelhos refletindo a luz de trás. Alguns reflexos podem ser colocados para acender a garrafa ou mesmo dar mais volume ao copo. São simples de serem obtidos sem nenhuma alteração de fotometria.
A temperatura de cor é um fator determinante para o resultado, mas basta levarmos a imagem para o “laboratório” do Lightroom e, com o conta-gotas no copo (na área onde fizemos a fotometria), darmos um clique para equilibrar o cinza médio.
Daí basta “setar” o Lightroom (Alt + redefinir) e ajustar para que, de agora em diante, seja esse o padrão de todas as fotos que você fizer.
A captura da foto é a parte mais divertida, pois usaremos uma técnica bem simples, que é abrir o fundo da garrafa e jogar a água ao mesmo tempo em que disparamos rápida e repetidamente a câmera. Lógico que tentativa e erro é um método pouco científico, mas muito divertido. Depois basta levar a imagem capturada mais o fundo escolhido para o laboratório e finalizar.
Editando as imagens
Matéria publicada originalmente
na revista PHOTOS
& IMAGENS #87.
Clique aqui para ver um trecho da revista
Clique aqui para assinar (frete grátis para todo o Brasil)



























